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Minha primeira viagem a Santa Catarina.

Ainda quando surfista amador, sonhava em conhecer Santa Catarina, em especial a praia da Joaquina, em Floripa, famosa por seus festivais de surfe, pois já acompanhava os Olimpikus pelas revistas especializadas da época.

Minha primeira passagem pela ilha foi em 86, para a segunda edição do OP Pro. Estava começando minha carreira amadora e era a minha primeira viagem fora do eixo Norte / Nordeste. Cheguei em um dia de ondas pequenas e vento sul, quando fui fazer minha inscrição com Klaus Kaiser.

Aliás,meu patrocinador de pranchas na época, o Paulo Bala, da Swell Lines, foi quem me levou ao evento e acabou ficando bem amigo do “Pezão” (apelido de Klaus), e por tabela, devido a alguns amigos em comum de Paulo, como o Mozart Texeira, acabamos conhecendo uma galera boa como o Dugue, filho dos donos do bar e restaurante West Saloon, que ficava no canto direito da praia de Balneário Camboriú.

Semana intensa de competição, quando mais de “700” atletas participaram da prova. E na época, o evento envolvia surfe profissional masculino, feminino e amador, longboard e também o bodyboard.

Era uma festa – barracas das equipes estendidas ao logo da praia, muita gente bonita e eu abismado com meus ídolos Picuruta Salazar, Dadá Figueiredo e Felipe Dantas, entre outros.

Na “Joaca”, foi onde tive a oportunidade de conhecer a força do surfe catarinense com David Husadel, Bita, Bilo, Paulo Lima, Zeno Brito, Ivan Junkes, Gama, Luciano Gouveia, os irmãos Fisher e tantos outros.

Foi muito surfe durante aquela semana. Com um grupo de paraibanos que também estavam participando do evento – Junior Cabôba, Brayner Brito, Jr. Coquinho e Chicó Moura -, fomos conhecer a Guarda do Embaú.

O trajeto, saindo da ilha até o pico, fez o terral ir embora. Não pegamos as esquerdas, mas rolou uma Prainha mágica e com tamanho demasiado para a minha Swell 5’5”, rabeta “rabo de peixe”.

A competição estava ferrenha, não lembro agora direito quem venceu a Profissional, mas acho que foi David Husadel. Na Amador, passei muitas, muitas baterias pra chegar na quinta colocação, perdendo no homem-a-homem para Ricardo Tatuí, o bicho-papão da época.

Foi ali que vi um tal de Flavio Padaratz surfar pela primeira vez e pensei “Que ‘galeguim’ pra surfar que só a ‘bixiga’!”. Tatuí venceu o evento na categoria amadora, com Teco em segundo.

Depois do festival, ficamos mais duas semanas no estado e fomos para a casa do Dugue, em Camboriú. Pirei naquelas valas em uma semana clássica. Tive a oportunidade de surfar Atalaia, Gravatá e Navegantes, como também Brava, onde peguei bons tubos e tive um bico de prancha quebrado em uma embicada.

Era o pedágio a ser pago. Naquela época já havia várias fabricas de pranchas no estado, e em visita à Marbella e Skip Free, ficamos Paulo Bala e eu impressionados com a organização das mesmas.

Muitos atletas amadores bons no litoral norte norte e o surfe muito bem organizado, rendeu muitos frutos nos anos a seguir. Santa Catarina passou a ser meu roteiro de verão, passava o ano inteiro juntando grana pra vir ao OP Pro.

Infelizmente não vim no primeiro Hang Loose, naquele meio de 86, pois além de não ter condições financeiras, ainda cursava o primeiro ano do ensino médio. As imagens em fotos e videos posteriores de uma Joaquina épica e ídolos mundiais em águas brasílis só aumentaram minha fixação.

Hoje, vivendo por aqui, posso dizer que sou abençoado, como todos que aqui vivem.

Muitas cidades respiram surfe e até algumas não costeiras como Belo Horizonte e Brasilia também. Alguns estados com algumas chamadas surf cities espalhadas em seus litorais , mas creio que Santa Catarina é onde muito se aflora esse sentimento, e vejo Floripa como uma das  cidades “mais surf” do Brasil.