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Mentawai for fun a Barca do Fia em Mentawai, Indonésia.

A primeira “Barca do Fia” 2018 acaba de ser finalizada. E aproveito, já acordado às 3 da matina e mais aceso do que refletor devido ao fuso horário de 10 horas, justamente para contar aqui os ótimos dias que passamos no Playground Surf Resort, em Mentawai.

As muitas horas de viagem até o pico, incluindo longos voos, esperas em aeroportos e translados em embarcações de meio e pequeno porte, são sempre recompensados quando chegamos ao nosso destino final. Esse era sempre nosso pensamento quando estávamos irrequietos durante nosso último transporte até o pico. Pra se ter um ideia, foi tanto tempo sentado que até o mascote, João Vitor Cypriano, também chegou ao destino com o tornozelo levemente inchado. Imaginem os dos coroas!

E por falar na galera com mais idade, tive um prazer enorme de ter a presença nesta barca do amigo de longas datas, Odimeres, o famoso Nen Batatinha, lá de Maracaípe. Pilhado para esta viagem pelo seu filho, o surfista profissional Luel Felipe, Nen era puro deslumbre, afinal se tratava de sua primeira trip internacional, uma comemoração ao seu aniversário de seus 55 anos.

Completando a barca estavam André Ferretti, Renato Libonati, Alexandre Perederko e Tom Buser, que já havia conhecido em outra Barca do Fia, na Nicarágua. E o legal também das barcas é justamente isso: as amizades vão se formando e outras trips vão rolando. Abro aqui um parênteses para agradecer à TGK Surf Operator, agência que havia iniciado esse projeto por intermédio do seu ex-agente José Eduardo, que inicia agora seus projetos próprios.

Sucesso a ambos, sempre! E esta foi a viagem inaugural da “Dream Surf Tur”, com José Eduardo (agora proprietário) aproveitando o embalo de sua trip também a trabalho pela Indonésia para acompanhar nosso grupo. O entrosamento da galera foi perfeito, admiração e companheirismo rolaram mútuos, e se formos levar pro lado cômico, todos os dias fazíamos companhia uns aos outros nas madrugadas, pois nos 10 dias de trip, o fuso horário lá também não havia sido acertado e a turma sempre acabava acordando o galo.

Em nosso primeiro surfe, aproveitamos um belo fim de tarde em Nipussy. Ondas de 3 a 5 pés, com algumas maiores de face. A preocupação com a galera menos experiente existia, mas um par de botinhas já dava mais confiança para uma eventual pisada no coral.

André Ferreti, 49, advogado, fez da trip um recomeço para seu surfe depois de um longo período fora das ondas. Com prancha volumosa e maior, na casa dos 6’5”, ia se entendendo com a remada e uma acertada na base, pois observei de imediato que sua pisada era muito para trás, e após o drop a prancha não desenvolvia por estar com o bico muito levantado.

Alexandre Perederko, 46, contador, dizia-se um amante do surfe. E era mesmo. Já em um grau mais avançado que Ferreti, estava mais solto, no entanto, foi logo levando os primeiros arranhões. Mas nada que o assombrasse, e sim motivo para resenha.

Tom Buser, 35, engenheiro civil, é um fissurado nato. Já havia observado isso na outra trip que fizemos para a Nicarágua. O cara é uma peneira, não passava nada (risos)! E no embalo de João Vitor, a parceria era boa, pois o moleque também não deixava passar nada e logo de cara tudo virou motivo para a nossa zoação diária. Como dito, nosso primeiro surf foi ótimo e os 3 dias seguintes foram igualmente bons.

Aproveitamos também o dia seguinte em Nipussy para melhor dominarmos a onda, e para o baixar do swell, esticarmos para uma “festa” em Burger World. Foram dois dias de surfe divertidíssimas e cansativos, pois a onda estava muito longa e emparedada. Todos nós fizemos a mala.

No primeiro dia, apenas duas lanchinhas de outros resorts locais, e no segundo, havia a presença de um barco. No entanto, quando chegamos, a galera já estava saindo da água. Resultado, dá-lhe onda sobrando!

Nesse dia, deu pra ver bem a evolução do João Victor em relação à clínica de surfe que participou comigo, há cerca de uma ano. Recém-chegado de trip ao Hawaii com seu treinador Diogo Leão, deu pra ver que o investimento de seu pai começa a ter retorno. João Vitor melhorou sua base. Já estava surfando mais com as bordas e estava bonito de ver. Creio que no futuro ele irá fazer a curva e chegar junto, pois dedicação e vontade não lhe faltam, ou seja, quesitos essenciais.

Tom Buser se esbaldou nessa direita. O cara tem quase 2 metros de altura e seu surfe é forte. Arriscou uns floaters despencando no vazio, para delírio da galera apreensiva com o momento.

Renato Libonati, 48, empresário, surfava de long e vem diminuindo o tamanho de suas pranchas gradativamente. Trouxe para a barca um fun 8 pés, mas acabou surfando mesmo foi com uma 7 pés em quase todos os dias. O cara sempre se posicionava ao fundo, sempre vindo nas melhores séries com sua Ferrari, apelido dado ao seu Fun vermelhão. Era divertido ver Renato dando várias embaladas no frenesi do sobe e desce de Burger World.

No segundo dia neste pico, o José Eduardo, com uma fish biquilha, também estava fazendo a mala se posicionando e pegando as boas. Ao término da session e com todos exaustos, eis que chega mais uma embarcação. Tratava-se do Huey 1, com uma galera australiana.

Aliás, este e o dia seguinte foram os únicos em que vimos charters boats na área. Creio que todos estavam pelo sul de Mentawai, onde o swell estaria batendo maior. Então, pra nós foi ótimo, já que a região de Playground é bem conhecida pelo crowd demasiado.

Com a baixada da ponta do swell que vínhamos surfando, foi a vez de surfarmos a esquerda de Bang Bang. Ali, sim, um número demasiado de cabeças na água, mas no geral, deu pra surfar. E a essa altura, a galera também já estava de cabeça feita e cansada, à exceção (creio) de João Victor e Tom Buser, nossas máquinas de pegar ondas (risos).

Durante nossa passagem em Playground, também juntaram-se a nós André da Evos, de São Paulo, e uma família de Niterói – Thiago, Ana,Tereza e Carlos Sartori.

Em uma das sessions, fomos todos juntos para Good Times e foi bem divertido, pura confraternização do Playground Surf Resort. Com um dia de mar bem pequeno, foi bom o descanso para a chegada de um novo swell mediano.

Zarpamos cedo para Hideaways e, ao chegarmos no pico, o visual era lindo. Dia ensolarado e clean, com ondas de até 5 pés de face.

Nen Batatinha, recém saído de contusão no ombro, logo estava em cima do reef. Mas, no decorrer da session, foi se aprumando e conseguiu pegar umas no “timming”.

João Vitor mostrava sua evolução também em seu backside com batidas e boas rasgadas. Aproveitei bastante também essa session, pegando um bom tubo depois de pacientemente esperar por uma da série. A maior onda surfada nessa session foi de Renato Libonati, e a maior lapada ficou a cargo de José Eduardo. O cara veio na da série e não conseguiu virar pra ir no trilho. Levou um lapada na titéla, a ponto de ficarmos preocupados, mas deu tudo certo. Ufa!

Mais um dia de altas ondas e finalizamos o fim de tarde em Nipussy com um belo back light de fim de tarde, com direito a imagens capturadas em fotos por Osmar Rezende e em vídeo por Conrado Lage.

Aliás, nas noites pós-jantar rolava aquela análise das imagens e não poderia ser diferente. A expectativa era sempre alta. Aplausos para os bons momentos e gargalhadas, e muita zoação na hora das vacas e/ou rabeadas.

E por falar em rabeadas, a regra era o autor pagar uma Bintang ou um chocolate Bang Bang. E aí era aquela bagunça, pode rabear que no fim do dia agente “toma uma” na faixa (risos). Mas tudo era um prazer, afinal pagar uma Bintag hiper gelada para um amigo em Mentawai era sempre agradável.

Se teve uma coisa que talvez tenhamos dado mole foi de não termos caído em Bank Vaults. Talvez o crowd e cuidados demasiados nos fizeram ficar de fora do pico, e finalmente, quando acordamos definidos a ir pra lá, o swell virou. Mas foi ótimo também estarmos todos inteiros e ter surfado um Bang Bang clássico. A turma foi à forra.

Ali tivemos a presença dos brasileiros profissionais Stanley Celik e Michel Roque, ambos arrebentando. Michel estava em lua de mel com sua esposa suíça e Celik estava de Surf Guide contratado de outro resort, que não lembro o nome neste momento. Vai pegar pouca onda o menino nesta temporada! Vish! Segura a quilometragem em tubos.

E o tempo passou rápido, todo mundo evoluiu e logo já estávamos fazendo a foto de despedida. Nossa passagem pelo Playground foi demais, altos rangos do Chef Alvaro e os mangustines levados por Guilherme (valeu, brow!), saboreados geladinhos, estavam deliciosos.

Agradecimentos a todos no resort pela hospitalidade, o também proprietário, o indonésio Papá e demais funcionários, muito receptivos e amigáveis, nos deixaram em casa. A saudade já bateu logo na despedida e a única certeza era a vontade de voltar em uma próxima oportunidade. Terima Kasih Mentawai.